Da Imagem Ausente é uma pesquisa situada no campo da prática artística a partir da produção do discurso histórico e memorialístico do itinerário algodoeiro e da indústria têxtil do Vale do Ave, num período entre 1930 e a atualidade. A problemática central reside nos regimes estético-políticos que determinaram gestos de visibilização e de apagamento efetivados na fabricação dos imaginários desse passado. O projeto questiona os pressupostos e os enquadramentos associados ao progresso e ao desenvolvimentismo que glorificaram a história desta indústria — como é evidenciado nos relatos oficiais, nos arquivos e nas representações em espaço público. Nesse seguimento, examina como tais inscrições resultaram em obliterações discursivas e imagéticas, sobretudo relativas às explorações laborais, aos extrativismos e às destruições ambientais.
Desde o território do Vale do Ave, este trabalho desenvolve-se através de métodos que combinam a consulta a arquivos institucionais, caminhadas e o respigo — o mapeamento, a seleção e a recolha — de objetos, documentos e imagens provenientes das ruínas industriais. Esses processos originaram um repertório heterogéneo de elementos que foram materialmente e esteticamente transformados pela prática artística, por intermédio de estratégias de edição — montagens, justaposições, reenquadramentos e deformações — acionadas através da escrita dissertativa, dos filmes-ensaio, de procedimentos escultóricos e instalativos. As diferentes manipulações efetivadas associam-se ao recurso da metáfora como instrumento epistemológico e formal que originou novas leituras nas relações com as imagens, materiais e documentos convocados.
Da imagem ausente (2020-2026)

Autor não identificado (J. Cunha Morães?). (Caixa da Cheila) na apanha do algodão. Angola, imagem cedida pelo Centro Português de Fotografia, PT-CPFCNF-002163, Imagem cedida pelo Centro Português de Fotografia.

Maquete Empresa Têxtil — arquitecto Artur Duarte da Cruz, PTFML-TR-COM-478-001, imagem cedida pela Casa da Imagem.


Captação feita em repérage para a produção do filme-ensaio MapaHistória (2022) de Ludgero Almeida.
Pormenor de conchelos a nascer por entre os fios de algodão ao ponto de não ser possível identificar visualmente o início e o término da raiz. Imagem editada por Ludgero Almeida a partir de frame de vídeo captado por Max Fernandes no decorrer de uma caminhada no projeto Pitar na cangosteira.

Captação feita em repérage para a produção do filme-ensaio MapaHistória (2022) de Ludgero Almeida..


Processo de coleta de materiais. Fotografias de Ludgero Almeida.
Processo de coleta de materiais. Fotografias de Ludgero Almeida.