Esta instalação é composta por doze esculturas em resina suspensas à altura do olhar e iluminadas por caixas de luz. As peças, réplicas da última camisa de trabalho de um operário, apresentam transparências e opacidades que evocam as imagens radiográficas — a interioridade de um suposto corpo que, para todos os efeitos, é apenas indiciado.
Suspensas na penumbra, estas formas luminosas, réplicas inexatas do objeto original, remetem para uma reflexão sobre o modo como essa camisa participou de um processo de subjetivação do indivíduo, tornando-se um objeto de identificação, e como, simultaneamente, adquiriu uma dimensão traumática: permaneceu como suporte de recordação de uma vida irrecuperável, uma expressão da incapacidade de restituição dessa identidade.
Ao explorar as texturas, as variações de luz e sombra, as espessuras e as ambivalências do âmbar — ao mesmo tempo convocado como sinônimo da preservação como também da fragmentação e da fragilidade —, esta obra explora as estabilidades e instabilidades da imagem e da memória pensando-as em relação à construção e dissolução da experiência histórica e social.
Do corpo construído ao corpo destituído (2022)




